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quinta-feira, abril 12, 2012

Design é o caminho para a inovação

Ricardo Leite foi meu professor na Faculdade da Cidade. Ele escreveu excelente artigo, abordando o Design como caminho para inovação.

Leiam e curtam.

Tudo ao nosso redor está clamando por criatividade! Numa pesquisa da IBM aplicada a 1.500 CEOs mundiais, a criatividade foi identificada como a competência número um para a liderança no futuro. Vivemos a badalada era da inovação! Nunca se falou tanto da importância de inovar. Inovar para sobreviver. Marcas que não inovam morrem! Mas nada é mais complexo do que implementar uma cultura criativa dentro de empresas.

Desde a sua existência, o ser humano foi programado para evitar riscos e não tolerar a insegurança. O novo representa inevitavelmente um mergulho em direção ao desconhecido, e quando não se entende, a imaginação preenche as lacunas que se abrem. Consequentemente esses espaços vazios que nos causam temor são onde existe terreno fértil para a imaginação trabalhar, possibilitando a criação e a inovação.

Assim como incertezas, dúvidas e surpresas podem ser o momento ideal para a concepção de soluções inovadoras. Identificar e entender essas novas “realidades”, aceitar que cada estranheza ou dúvida é uma possível oportunidade é difícil e contraditório para a maioria dos gestores, uma vez que o papel das lideranças corporativas é, em grande parte, evitar perdas e garantir resultados.

Saber administrar incertezas, que são parte dos processos de inovação, não é fácil. A busca pelo novo pede roteiros diferentes caso a caso, que se assemelham mais a uma rede interligada e menos a uma linha de pontos sequenciais, o que, para uma mente executiva baseada em raciocínios lógicos e pragmáticos, é bastante complexo.

Já para quem cria ou interage com criação, a situação é a oposta: trabalhar com soluções já conhecidas é sinal de que deixaremos a mensagem óbvia, monótona e previsível. Se tudo estiver muito claro e direto, faremos o público sentir-se passivo no processo de comunicação, o que provavelmente diminuirá o seu interesse. A inovação é entendida como convite para uma nova experiência enriquecedora para a sua vida.

Como inovar está cercado de incertezas, é necessário entender o risco ou insucesso como parte do processo. Porém, por natureza, as empresas buscam soluções que tragam segurança, o que, em geral, faz o novo ser um rearranjo do que temos conhecimento e controle. Essa inovação incremental, que é a mais palatável entre os executivos, diante da competição pela diferença, começa a ser insuficiente e paradoxalmente representa o maior risco: o de ser mais um, de ser igual a muitos e desaparecer nesse cenário de hiperofertas.

Idealizar, fazer, testar, rever, corrigir, ajustar continuamente passou a fazer parte do ciclo de vida de um produto, e o roteiro para desenvolver propostas inovadoras passa pelo desenvolvimento de diversos testes, prototipagens, refinamentos e monitoramento e reavaliação constantes. Enfim, inovação é um processo permanente, que nunca se encerra. Trabalhar de modo colaborativo com o próprio público já é aceito pelos dois lados, e mecanismos próprios para que isso flua harmonicamente devem ser desenvolvidos.

Fica claro, portanto, quanto é grande o desafio de implantar uma cultura de inovação em corporações que já não a tenham em sua origem.

Como resposta a esse desafio, por volta de 10 anos atrás, na Universidade de Stanford, surgiu o conceito denominado como design thinking, que, de modo simplista, pode ser explicado como a resolução criativa dos problemas. Tirando o foco apenas do produto e do cliente e deslocando-o para a experiência de uso, o design thinking utiliza-se do método aplicado por designers e que, até agora, é o que melhor responde aos desafios desta nova era.

Nas metodologias de design, entre outras etapas, existe o que chamamos de geração de alternativas. A pergunta frequente é: e se fosse diferente? E se a situação fosse invertida? E se as pessoas tiverem motivações diferentes? E se… E se. A partir desses questionamentos, as oportunidades revelam-se, e por meio do processo criativo, definimos possibilidades nunca antes percebidas.

Design é um processo criativo estruturado, e a capacidade dos designers de aprender ao longo do desenvolvimento dos projetos é a maior contribuição que trazem para o modelo inovador.

Empresas inovadoras desenvolvem diversas pesquisas e direcionamentos simultâneos, de modo que quando um produto ou serviço é lançado, outros já estão em estudo e, muitas vezes, cruzam-se entre si. Como o tempo para amadurecimento de propostas inovadoras é maior que o para ajustes no que já existe, esses desenvolvimentos superpostos permitem compatibilizar as metas de curto prazo com as de longo prazo.

Ao buscar a melhor solução ao longo do processo, designers deparam-se com novos entendimentos e através do ato de tentar traduzi-los e representá-los, derivam para uma forma articulada e sofisticada de retrocriação e novo entendimento do desafio original, o que pode levar à ressignificação do problema. Mal comparando, é como o trabalho de um antropólogo, que ao estudar outros povos e passar pela tentativa de compreender outra cultura, revisita inevitavelmente a sua própria cultura, ou o de processo de troca de um professor, que ao ensinar alunos, aprende com eles. Simplificando: ao “inventar” o seu próprio entendimento da questão, o designer inova.

Em um mundo em constante mutação, mercados nascem e outros morrem em velocidade acelerada. Novas tecnologias surgem repentinamente e alteram, de modo radical, o ambiente e as condições existentes, exigindo capacidade de adaptação e de criação constantes. Nesse cenário, o design e o raciocínio estratégico apreendido pelo processo criativo são entendidos como impulsionadores para a inovação, com grande poder para contribuir e resolver alguns dos desafios que marcas, produtos e serviços têm no presente e que serão ainda mais latentes no futuro.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Exercício de criatividade - Doritos

A propaganda “Man’s Best Friend” (“O Melhor Amigo do Homem”), foi a escolhida entre as 62 como a melhor propaganda do Super Bowl. A lista de melhores comerciais foi divulgada pelo jornal norte-americano USA Today, que todo ano lança um "medidor de preferência" para a ocasião chamado Ad Meter.
O comercial da marca Doritos foi criado por um consumidor, que levou um prêmio de US$ 1 milhão pelo vídeo. Friedman, o homem por trás da propaganda, gastou menos de US$ 20 para fazer o vídeo, e todo o dinheiro foi gasto em petiscos para cachorro. Ele pegou emprestado o dogue alemão de um amigo e criou o filme vencedor com 31 segundos de duração.
O concurso da Doritos foi criado em 2007, e desde então todos os comerciais da marca entraram para o Top 5. 



quarta-feira, novembro 23, 2011

Homenagens exclusivas das agências a Steve Jobs

Na Adnews em Revista 5 deste mês em meio a análises e entrevistas, o leitor confere uma homenagem especial e exclusiva feita a Steve Jobs. A convite da redação, as maiores agências do mercado usaram a criatividade para fazer reverência ao legado deixado pelo ex-chefe da Apple. Almap, Talent, Leo Burnett Tailor Made, F/Nazca, Publicis, Sunset, Z+, entre outras, estão lá. (Confira a galeria de campanhas abaixo)
Pura criatividade....





























quinta-feira, agosto 25, 2011

O design alavanca tudo



As comparações feitas pela consultoria americana iSuppli sempre provocam sobressaltos. Uma delas mostrou que os componentes do iPad 2 custam US$ 370. A Apple vende o tablet por US$ 700. Entre esses dois valores há custos de produção, logística e impostos. Mas a justificativa para tamanha diferença pode ser resumida em duas palavras: design e inovação. Elas distinguem um amontoado de peças do mais bem-sucedido aparelho eletrônico do momento. São também o tema preferido da paulistana Lidia Goldenstein, uma das organizadoras da exposição Design São Paulo, visitada por 10 mil pessoas no mês passado no Parque do Ibirapuera. Ex-professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Lidia diz que é preciso dar novo alcance para a definição de estratégias de desenvolvimento para o Brasil. "Elas têm de incluir políticas agressivas de incentivo a novos setores, como a moda, os games e o design. Eles são tão importantes na atualidade como a siderurgia ou a mineração foram no passado."


1. Quanto o design pode valorizar um produto?_Para ter uma ideia, basta comparar o custo de um pequeno pedaço de tecido com o preço final de um biquíni de grife. A diferença é imensa. Podemos ir mais longe. Alguns designers transformam peças corriqueiras do cotidiano em obras de arte. E elas são caríssimas. Isso está acontecendo em todo o mundo com os móveis brasileiros com estilo dos anos 50. Eles estão muito valorizados. Uma cadeira de madeira criada por Joaquim Tenreiro, por exemplo, é vendida por US$ 250 mil. Esta é a cotação definida em catálogos internacionais. No Brasil, uma poltrona do Sergio Rodrigues, outro designer renomado, é vendida por R$ 40 mil. O céu é o limite para o valor que o design pode agregar a um produto.
2. As empresas estão mais atentas a isso?_O investimento das empresas é um indicador. O presidente de uma montadora me disse que o design representa 30% do desenvolvimento de um carro novo. Ele é o item de maior peso na produção. A indústria suporta uma despesa tão alta porque sabe que o resultado faz grande diferença para o consumidor. O design se transformou numa ferramenta estratégica para o desenvolvimento. Ele é um fator relevante para aumentar a competitividade de um negócio. É por isso que muitos países promovem políticas agressivas de fomento ao design.
3. Quais países estão nessa lista?_A China é o caso mais notório. A economia criativa e a sustentabilidade estão no topo da sua estratégia de desenvolvimento. Essa prioridade está definida no plano quinquenal. Os chineses querem superar a história do “made in China” para ingressar na fase do “design by China”. Querem agregar valor. E isso já está acontecendo em várias áreas. A Coreia do Sul passou por um processo semelhante e recentemente criou um centro imenso dedicado ao design. O mesmo ocorre na Espanha. Em Barcelona, foi montado um polo, um hub, para conectar todos os setores da economia ao design.
4. A senhora diz que alguns economistas ficam com pena quando sabem que seu foco de estudos é a economia criativa. Por que eles estão errados?_Eles olham com piedade e pensam: “Coitada”. Na verdade, é uma brincadeira. Digo isso de forma caricata. Mas poucas pessoas, economistas inclusive, perceberam a importância da economia criativa. Os grupos ligados a políticas culturais também são arredios. Eles temem ser engolidos pelo mercado.
5. Por que a economia criativa é importante?_As áreas que compõem a economia criativa estão na liderança da geração de empregos qualificados, principalmente para jovens, e na captação de investimentos. Elas incluem segmentos como a produção de software, o design, a propaganda, a televisão e os jogos digitais. Os games estão transformando um número imenso de atividades. Seu impacto se espalha desde a educação até diversas mídias, como o celular e a internet.
6. A definição de economia criativa parece equivocada. Em tese, toda a economia deveria ser criativa. Por que olhar somente para alguns setores?_Isso é verdade. Mas a ideia é destacar a relevância de atividades econômicas essenciais, geralmente confundidas com formas de entretenimento ou manifestações culturais. A produção de filmes de animação é um ótimo exemplo. No Canadá, ela existe há décadas. Sempre foi muito respeitada. Ao observar esse segmento, queremos destacar que ele gera entre 200 mil e 300 mil empregos e exporta US$ 5 bilhões por ano. Por isso, recebe grande incentivo do governo canadense. Temos de tratar esta área como um polo de criação de postos de trabalho e de renda. Ela precisa ser alvo de políticas proativas e ter estratégias adequadas de crescimento. A novidade é a maneira como olhamos para essa indústria.
7. Por que a economia criativa pode ser especialmente importante no Brasil?_O momento é oportuno para esse tipo de discussão. Atualmente, ficou muito barato importar, e a indústria nacional começa a ter problemas. Não devemos fechar a economia, nem queremos baixar os salários. O design é uma forma de aumentar a competitividade sem adotar medidas desse tipo. Alguns anos atrás, a indústria de calçados passou por um problema assim. Ela prosperou, mas reproduzindo modelos de calçados trazidos por americanos, com numeração e tudo o mais. Lembro de ter lido vários artigos sobre a necessidade de investimentos em design. O empresariado não se mexeu, e os chineses avançaram sobre o mercado nacional. Isso só começou a mudar recentemente.
8. O design tem grande peso na economia criativa?_Ele é o mínimo denominador comum de todos os setores. Permeia tudo. Serve como uma alavanca para todos os outros, porque tem influência direta sobre o valor de qualquer produto. Está no cinema, nos games, nos softwares.
9. O Brasil tem vocação para algum campo do design?_A moda brasileira é um exemplo. Tem sido reconhecida mundialmente. A São Paulo Fashion Week é um dos cinco principais eventos do tipo no mundo. Nessa área temos um problema: exportamos pouco. Mas isso não tem a ver com a qualidade dos produtos. Está muito mais relacionado a impostos, problemas de distribuição e a uma série de dificuldades no processo produtivo. Ainda temos que caminhar muito no Brasil. Há pouco tempo, uma instituição como o BNDES nem sequer tinha instrumentos para financiar setores da economia criativa. Esse tipo de vazio mostra como a discussão sobre esses setores é relevante.
10. O governo está preocupado em atrair para o Brasil empresas como a Foxconn, a chinesa que fabrica os produtos da Apple. Essa estratégia é correta?_Não precisa ser desprezada, mas é insuficiente. No passado, quando uma indústria siderúrgica chegava a um país, produzia impactos de longo prazo. Com uma montadora de produtos eletrônicos a situação é diferente. Esse tipo de fábrica pode ser considerado “transportável”. Muda de país como mudamos de roupa. Toda a nossa lógica de desenvolvimento ainda está voltada para tijolos e máquinas. Temos de voltá-la para a criatividade e novas tecnologias.

*Por Carlos Rydlewski - Entrevista publicada em 01/07/2011 na Época NEGÓCIOS